Polimento e vitrificação

Quanto dura um polimento e com que frequência polir o carro

Bruno Leonardo Almeida de OliveiraFundador

Um polimento bem feito não "vence": os riscos que ele removeu não voltam sozinhos. O que dura pouco é o brilho e a proteção aplicados por cima, e é por isso que as respostas do mercado variam tanto, de 3 a 12 meses. A frequência certa de polir não é um número no calendário, é a quantidade de verniz que a sua pintura ainda tem para gastar.

Essa diferença muda a decisão. Quem confunde manutenção de brilho com correção de pintura acaba polindo com abrasivo a cada poucos meses, e cada correção tira uma fatia de uma camada que tem poucas dezenas de mícrons. Neste artigo mostramos quanto verniz existe, quanto se pode gastar e como separar o que precisa de máquina do que pede só uma nova camada de proteção.

RESPOSTA RÁPIDA

A correção feita pelo polimento é permanente; o que se desgasta é a proteção por cima. Por isso o brilho dura de 3 a 12 meses nas fontes de mercado, conforme cera, selante ou vitrificação. Polir de novo com abrasivo só faz sentido quando voltam defeitos visíveis, porque a DeFelsko informa que as montadoras recomendam tirar no máximo 8 mícrons de verniz.

NESTE ARTIGO VOCÊ VAI LER

  1. Quanto tempo dura um polimento no carro?
  2. O polimento estraga a pintura do carro?
  3. Quanto verniz a sua pintura tem para gastar?
  4. Com que frequência polir o carro, na prática?
  5. Sinais de que é hora de polir, e sinais de que não é
  6. Como organizamos a manutenção aqui no Spa
  7. Perguntas frequentes

As fontes de mercado falam em 3 a 12 meses, mas esse número mede o brilho e a proteção, não a correção. Riscos removidos pelo polimento não reaparecem; o que surge com o tempo são riscos novos, principalmente de lavagem. A duração real depende da camada aplicada depois do polimento e de como o carro é lavado e guardado.

As faixas publicadas mostram bem essa confusão. O Brilho no Carro fala em 3 a 6 meses. A Snail Car Detail amplia para 3 a 12 meses. A Poligerma mede de outro jeito e diz que o enceramento manual dura de duas a dez lavagens, conforme a cera. Todas estão falando da camada de proteção, porque é ela que some com o sol, a chuva e o shampoo.

O polimento não estraga a pintura quando é feito com critério, mas ele sempre remove um pouco de verniz, e verniz não se regenera. O risco aparece no acúmulo: polimentos abrasivos repetidos, ou um corte agressivo demais, afinam a camada que protege a cor contra o sol. O site do Spa resume: polimento mal executado pode desgastar o verniz de forma irreversível.

É por isso que "quantas vezes posso polir" não tem resposta única. Um refino leve e um corte pesado são operações muito diferentes, embora os dois se chamem polimento. E o carro que passou por repintura pode ter mais ou menos verniz que o original, o que muda a conta.

O ORÇAMENTO DE VERNIZ

8 de 35 a 50 mícrons A DeFelsko informa que o verniz de fábrica tem de 35 a 50 mícrons e que a maioria das montadoras recomenda remover no máximo 8 mícrons no polimento. Na prática, entre 16% e 23% da camada é tudo o que se pode gastar em correções.

Fonte: DeFelsko, "How to use paint thickness gauges for better automotive detailing".

Isso também explica por que as recomendações de mercado parecem se contradizer. A Poligerma fala em no máximo três polimentos simples na vida do carro. A Snail Car Detail sugere de uma a duas vezes por ano em carro de uso intenso. As duas podem estar certas, dependendo de quanto verniz cada sessão tira. A pergunta que resolve a contradição é: esse polimento vai corrigir defeito ou só renovar brilho?

Polimento de correção, com abrasivo, só quando surgem defeitos que incomodam e que a proteção não esconde, como marcas de lavagem visíveis sob luz direta. A proteção, por outro lado, deve ser reaplicada no prazo que o fabricante informa. Para a maioria dos carros de uso diário, isso significa proteger várias vezes e corrigir poucas vezes na vida da pintura.

O QUE FAZER E QUANDO, POR SITUAÇÃO

Situação da pinturaO que fazerCom que frequência
Brilho caiu, água parou de formar gota, sem riscos novosReaplicar proteção, sem abrasivoNo prazo do produto: cera de carnaúba até 4 meses, cera híbrida até 8 meses (Vonixx)
Carro vitrificado, perdendo repelênciaManutenção do vitrificador, sem polirSelante de manutenção a cada 30 a 45 dias, segundo a Vonixx para a sua linha
Marcas de lavagem visíveis sob luz diretaRefino leve, depois proteçãoSó quando as marcas aparecem, com avaliação da pintura
Riscos que a unha sente mas não prendePolimento técnico com corte, depois proteçãoPontual, poucas vezes na vida do carro
Riscos que prendem a unhaNão polir: micropintura ou pintura da peçaNão se aplica

prazos de proteção são os informados pelos fabricantes citados, como máximos. A Nano Proteção do Spa tem durabilidade própria, informada no site: até 12 meses (Tradicional) e até 36 meses (Premium 9H).

A primeira linha é a que mais economiza verniz. Muita gente leva o carro para polir quando, na verdade, a proteção acabou e o brilho caiu. Reaplicar cera, selante ou fazer a manutenção do vitrificador devolve boa parte da aparência sem tocar no verniz.

A quarta linha é a que mais pede cuidado. Corte é a etapa que remove riscos superficiais, marcas de lavagem, contaminação e oxidação, e por isso é também a que mais consome material. Ela faz sentido antes de uma vitrificação, porque vitrificador aplicado sobre riscos conserva os defeitos por baixo, mas não precisa ser repetida a cada estação.

Mande fotos da pintura sob luz direta pelo WhatsApp. A gente diz se é caso de corrigir ou só de reaplicar proteção, e evita que você gaste verniz à toa.

É hora de polir quando aparecem defeitos no próprio verniz: marcas circulares de lavagem sob luz direta, riscos finos que a unha não prende, manchas de oxidação ou contaminação que a lavagem não remove. Não é hora de polir quando o problema é só brilho apagado ou água que parou de formar gota. Aí o que acabou foi a proteção.

ANTES DE MARCAR UM POLIMENTO, CONFIRA

  1. Lave o carro e olhe a pintura sob luz direta, de lado. Marcas circulares finas indicam defeito no verniz.
  2. Jogue água numa peça horizontal. Se não forma gota, a proteção acabou, não necessariamente o verniz.
  3. Passe a unha nos riscos. Se prende, polimento não resolve.
  4. Lembre quando foi o último polimento com corte. Se foi recente, prefira proteção e refino leve.
  5. Se o carro já foi repintado, avise quem vai polir. Peça repintada pode ter espessura diferente da original.

O item 5 tem base técnica. A DeFelsko lembra que leituras de espessura acima do normal costumam indicar repintura, e que a espessura varia bastante de peça para peça no mesmo carro. Por isso a mesma receita de polimento não serve para o carro inteiro.

Esse jeito de trabalhar vem da origem da empresa. Segundo a história do Spa, Bruno Leonardo começou em 2010 polindo carros sob uma tenda num posto de gasolina, antes de a oficina crescer para funilaria, pintura e estética completa. Quem aprendeu o ofício pelo polimento sabe que cada polimento abrasivo tira material, e que a melhor correção é aquela que não precisa ser repetida tão cedo.

Bruno Leonardo, fundador do Spa do Automóvel. Começou como técnico de pneus aos 17 anos e, em 2010, passou a polir carros sob uma tenda num posto de gasolina em Belo Horizonte. Hoje comanda uma oficina de funilaria, pintura e estética automotiva com 16 anos de mercado.

A correção feita pelo polimento não se desfaz sozinha; o que dura de 3 a 12 meses, segundo fontes de mercado, é o brilho e a proteção aplicados por cima. Com cera, a duração é menor; com vitrificação, maior. Lavagem cuidadosa faz qualquer um durar mais.

Feito com critério, não. Mas todo polimento abrasivo remove um pouco de verniz, e o verniz não se regenera. A DeFelsko informa que a maioria das montadoras recomenda remover no máximo 8 mícrons. O dano vem do acúmulo de cortes ou de um corte agressivo demais.

Não existe um número único, porque cada polimento remove uma quantidade diferente de verniz. Refinos leves gastam pouco; cortes pesados gastam muito mais. O melhor critério é polir com abrasivo só quando surgem defeitos e reaplicar proteção no restante do tempo.

Depende do estado da pintura e de quantas etapas serão necessárias. Um carro que precisa só de lustro leva bem menos tempo que um que pede corte, refino e lustro. O prazo deve ser combinado no orçamento, depois da avaliação da pintura.

Saem os riscos que ficaram dentro do verniz, como marcas de lavagem e riscos finos. Se a unha prende no risco ou o fundo dele mostra outra cor, o dano passou do verniz e pede micropintura ou pintura da peça.

Se a sua dúvida é se o carro precisa de polimento ou só de uma nova camada de proteção, a resposta costuma aparecer em duas fotos sob luz direta. Mande pelo WhatsApp: se não for caso de polir, a gente fala.

Polir menos, proteger melhor

Avaliamos a pintura do seu carro e indicamos só o necessário: correção quando há defeito, proteção quando o brilho caiu. Av. Barão Homem de Melo, 2045, Nova Granada, Belo Horizonte, das 08h às 18h.

Sobre o autor

Bruno Leonardo Almeida de Oliveira

Fundador

Bruno Leonardo Almeida de Oliveira é sócio fundador do Spa do Automóvel, em Belo Horizonte, e bacharel em Administração pela Universidade Federal de Minas Gerais. Cresceu no setor automotivo ao lado do pai mecânico e, depois de um acidente de trânsito que o afastou do trabalho por 21 meses, fez do polimento de veículos o seu ofício. Em 16 anos, o Spa do Automóvel soma mais de 15 mil veículos pintados e atende seguradoras e concessionárias.

Artigos relacionados